Guia Patrimonial
Internacional

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Planejamento
Patrimonial
Internacional
Guia prático para investidores que querem
organizar patrimônio fora do Brasil
Eficiência fiscal, estrutura PF e
PJ e sucessão patrimonial
Sumário
CAPÍTULOS
1.
Introdução e contexto
3
2.
Conceitos fundamentais
4
3.
Tributação essencial
6
4.
As estruturas patrimoniais
10
5.
Sucessão patrimonial
15
6.
Conformidade e obrigações
16
7.
Matriz de decisão
17
8.
Implementação prática
22
9.
Erros comuns
28
10.
Próximos passos
28
11.
Glossário Essencial
29
12.
Quer entender como estruturar
30
1. Introdução e
Contexto
Este guia não é sobre produtos financeiros.
Não é sobre escolher ativos.
Não é sobre "onde investir".
É sobre estrutura.
O maior risco patrimonial de investidores internacionais raramente está na carteira. Ele está na forma como o patrimônio é organizado, registrado, protegido e transferido.
O cenário atual exige planejamento:
No Brasil, processos sucessórios podem levar anos, com custos elevados, conflitos familiares e impacto direto sobre a liquidez do patrimônio. No exterior, estruturas mal organizadas expõem o investidor a riscos tributários, sucessórios e jurídicos que muitas vezes não são percebidos no momento do investimento.
Investir fora do país sem estrutura é comum. Organizar o patrimônio internacional de forma eficiente ainda é raro.
Este material foi criado para investidores que desejam:
  • Proteger patrimônio
  • Reduzir riscos jurídicos e sucessórios
  • Estruturar governança patrimonial
  • Organizar ativos no Brasil e no exterior
  • Planejar sucessão de forma inteligente
  • Entender as ferramentas disponíveis
O foco não é promessa de economia.
É método. É organização. É estrutura.
2. Conceitos
Fundamentais
1. Residência Fiscal
Residência fiscal define onde uma pessoa é tributada. Não depende apenas de nacionalidade, mas de critérios legais como tempo de permanência, vínculos econômicos, familiares e patrimoniais.
Ela impacta diretamente:
  • Onde os rendimentos são tributados
  • Como investimentos no exterior são declarados
  • A incidência de impostos sobre renda, ganho de capital e herança
Planejamento patrimonial sem entender residência fiscal é planejamento incompleto.
2. Pessoa Física e Pessoa Jurídica
Organizar patrimônio como pessoa física e como pessoa jurídica gera efeitos completamente diferentes em:
  • Tributação
  • Sucessão
  • Governança
  • Proteção patrimonial
  • Risco jurídico
  • Controle e administração
Pessoa física é simples, mas frágil.
Pessoa jurídica é estruturada, mas exige método.
CritérioPessoa FísicaPessoa Jurídica
ComplexidadeBaixaMédia a alta
Custo manutençãoBaixoMédio a alto (~R$ 15 mil/ano+)
SucessãoSemanas a anos conforme estruturaTransferência de quotas (dias/semanas)
ProteçãoBaixa a moderadaAlta (segregação patrimonial)
Tributação15% (Lei 14.754/2023), DIRPF anual15%, regime transparente ou contábil
ITCMDNão aplicável a ativos offshore atualmenteIncide conforme legislação estadual
Uma Pessoa Física bem estruturada resolve muitos casos de patrimônio financeiro internacional. Estruturas em Pessoa Jurídica passam a fazer sentido quando há escala, maior complexidade patrimonial ou necessidade de governança formal. A escolha é técnica.
3. Sistemas Jurídicos
Em sistemas de civil law (como o Brasil), a propriedade é unitária. Em sistemas de common law (como EUA e Reino Unido), a propriedade pode ser funcionalmente dividida.
Essa diferença permite estruturas como:
  • Trusts
  • Offshores com governança sucessória
  • Estruturas fiduciárias
  • Planejamento sucessório automático
Sem entender essa base jurídica, estruturas internacionais são mal utilizadas.
3. Tributação
Essencial
1. Pessoa Física com investimentos no exterior
De forma geral, o investidor brasileiro residente fiscal no Brasil está sujeito a:
  • Tributação sobre rendimentos recebidos no exterior
  • Tributação sobre ganho de capital
  • Declarações obrigatórias no Brasil
  • Declarações obrigatórias ao Banco Central
  • Regimes internacionais de informação e transparência fiscal (troca automática de dados)
Além disso, ativos mantidos em determinadas jurisdições podem estar sujeitos a tributações sucessórias específicas, independentemente da residência fiscal do investidor.
A internacionalização do patrimônio amplia o acesso a mercados, proteção cambial e diversificação, mas também amplia a complexidade jurídica, fiscal e sucessória.
Investir fora sem estrutura transforma diversificação em risco oculto.
2. Simplificação recente da tributação internacional: Lei nº 14.754/2023
A legislação brasileira passou a adotar um modelo de transparência fiscal para investimentos no exterior, com alíquota unificada de 15% para rendimentos de capital em ativos financeiros internacionais.
O impacto estrutural é claro: o planejamento deixa de ser baseado em diferenciação de natureza do rendimento e passa a ser baseado em arquitetura patrimonial, organização jurídica e conformidade declaratória.
Eficiência fiscal passa a ser consequência de:
  • Estrutura correta
  • Organização patrimonial
  • Governança
  • Conformidade
  • Método
Não de engenharia tributária.
3. Risco sucessório internacional
  • Incidência de Estate Tax: pode chegar a 40% para não residentes, conforme a legislação vigente
  • Custos de probate (inventário, honorários legais e administrativos): podem variar, geralmente entre 3% e 8%
  • Impacto sucessório potencial: pode ser relevante, dependendo da estrutura e da jurisdição
Este exemplo é apenas educativo, para demonstrar risco estrutural real, não projeção de economia. Ele ilustra por que estruturação internacional não é opcional para patrimônios relevantes. É uma necessidade patrimonial, sucessória e jurídica.
4. ITCMD e a Reforma Tributária no Brasil
Emenda Constitucional nº 132/2023
A EC 132/2023 tornou a progressividade do ITCMD obrigatória em todos os estados brasileiros. As alíquotas passam a crescer conforme o valor do patrimônio transferido, criando uma tendência nacional de aumento da carga sucessória para patrimônios relevantes.

Implicação estratégica: O planejamento patrimonial passa a ser uma estratégia de organização e previsibilidade diante da evolução do sistema tributário.

A EC nº 132/2023 reforça a tendência de aumento da carga sucessória, mas não estabelece a incidência automática do ITCMD sobre ativos no exterior, cuja aplicação depende de regulamentação específica.
Estruturas patrimoniais devem ser pensadas para adaptação regulatória, não para eliminação de tributos.
5. Estruturas jurídicas e tributação
Estruturas patrimoniais podem alterar:
  • Forma de apuração de imposto
  • Momento da tributação
  • Incidência sucessória
  • Regras de declaração
  • Governança dos ativos
  • Organização da titularidade patrimonial
  • Forma de transmissão de patrimônio
O foco não é "pagar menos imposto".
É organizar corretamente a incidência dentro da legalidade, com:
  • Previsibilidade
  • Segurança jurídica
  • Conformidade regulatória
  • Sustentabilidade estrutural
  • Continuidade patrimonial
Estrutura forte sem conformidade vira risco.
Estrutura sem método vira passivo.
Estrutura sem governança vira conflito.
Estrutura sem visão de longo prazo vira fragilidade.
4. As Estruturas
Patrimoniais
1. Holding Patrimonial (Brasil)
A holding patrimonial é uma empresa criada para centralizar, organizar e estruturar bens e participações.
Ela permite:
  • Segregação patrimonial
  • Organização societária
  • Planejamento sucessório
  • Governança familiar
  • Estruturação de controle
  • Organização jurídica do patrimônio
É indicada quando o patrimônio está majoritariamente no Brasil ou quando existem empresas familiares, imóveis e participações societárias relevantes.
A sucessão ocorre por quotas societárias, não por inventário tradicional. Isso altera completamente o risco jurídico, o tempo de transição patrimonial e a continuidade dos ativos.
A holding transforma patrimônio disperso em sistema patrimonial organizado.
2. Offshore
A offshore é uma empresa constituída fora do país para deter ativos e investimentos. Não é um produto. Não é um investimento. É um veículo patrimonial.
É indicada quando há:
  • Patrimônio relevante no exterior
  • Investimentos internacionais diversificados
  • Exposição sucessória internacional
  • Necessidade de organização global
Ela permite:
  • Centralização de ativos
  • Governança patrimonial
  • Estrutura sucessória
  • Proteção jurídica
  • Planejamento internacional
Estruturada corretamente, é legal, declarada, transparente e regulada.
A offshore não é um fim. É um nó estrutural dentro de uma arquitetura patrimonial global.
3. Nota sobre escolha de jurisdição
A escolha de jurisdição não é apenas uma decisão fiscal. É uma decisão institucional, jurídica e estrutural. Jurisdições como Delaware, BVI, Cayman são utilizadas por fatores como estabilidade institucional, segurança jurídica, reconhecimento internacional, previsibilidade regulatória e compatibilidade com CRS e FATCA.
Uma offshore em jurisdição instável é um risco oculto. Uma offshore em jurisdição sólida é um ativo estrutural.
4. Trust
O trust é uma estrutura jurídica onde bens são administrados por um trustee em benefício de beneficiários, conforme regras previamente definidas.
Ele permite:
  • Proteção patrimonial
  • Governança de longo prazo
  • Planejamento sucessório automático
  • Proteção de herdeiros vulneráveis
  • Administração profissional
  • Organização multigeracional
Não é uma solução mágica. É uma ferramenta técnica para cenários específicos.
É indicado quando há:
  • Patrimônio elevado
  • Necessidade de governança forte
  • Proteção de beneficiários
  • Planejamento multigeracional
  • Estruturação de continuidade patrimonial
O trust não substitui arquitetura patrimonial. Ele compõe a arquitetura. Trust não é estrutura de investimento. É estrutura de governança.
5. Saída Fiscal
A saída fiscal é a mudança formal de residência fiscal para outro país.
Ela impacta diretamente:
  • Onde a renda será tributada
  • Como os ativos serão tratados
  • Regimes sucessórios
  • Obrigações internacionais
  • Estrutura jurídica do patrimônio
  • Organização multijurisdicional
Não é uma decisão tributária isolada. É uma decisão estrutural de arquitetura de vida patrimonial.
Exige planejamento:
  • Jurídico
  • Fiscal
  • Patrimonial
  • Sucessório
  • Familiar
  • Institucional
Além disso, a saída fiscal pode gerar impactos tributários relevantes sobre ganhos acumulados ainda não realizados, conforme a legislação vigente.
Por esse motivo, o momento da saída, a composição dos ativos e a estrutura jurídica adotada devem ser avaliados previamente, evitando exposição a tributação inesperada ou perda de eficiência patrimonial.
A escolha da estrutura patrimonial não é binária nem padronizada. Pessoa Física, Holding, Offshore e Trust não competem entre si — cada uma resolve níveis diferentes de complexidade, governança e sucessão.
Comparativo entre estruturas
AspectoPessoa FísicaHoldingOffshoreTrust
Custo AnualMínimoR$ 5–15kR$ 15–25kR$ 25–50k+
SucessãoSemanas c/ estruturaSemanas c/ estruturaSemanas c/ estruturaRegras pré-definidas, sem inventário
GovernançaLimitadaForteModeradaMuito forte
Tributação15%15%15%15% regime aplicável
ProteçãoBaixaMédiaAltaMuito alta
Na prática, arquiteturas patrimoniais eficientes combinam mais de uma estrutura conforme o perfil, o volume e os objetivos do patrimônio.
5. Sucessão
Patrimonial
Sem planejamento:
Falecimento → Inventário → ITCMD → Conflitos → Anos de bloqueio patrimonial
ProcessoInventário judicial (pior cenário)
PrazoAté 2–5 anos, dependendo da complexidade
CustosITCMD (4–8%) + honorários advocatícios (5–10%)
RiscosConflitos familiares e bloqueio patrimonial
Com planejamento:
Estrutura → Governança → Regras claras → Transferência automática → Continuidade patrimonial
ProcessoCom redução ou eliminação de inventário judicial
PrazoPode variar conforme jurisdição e instrumento
CustosDefinidos e planejados previamente
ResultadoContinuidade patrimonial, previsibilidade e eficiência
Estratégias possíveis:
  • Holding com doação de quotas
  • Offshore com governança sucessória
  • Trust estruturado
  • Planejamento híbrido
  • Boa assessoria
  • Plataforma com acesso a ativos isentos
Sucessão não é evento. É processo.
6. Conformidade
e Obrigações
Planejamento sem conformidade gera risco jurídico.
Obrigações comuns:
  • Declarações fiscais no Brasil
  • Declarações ao Banco Central
  • Declaração de ativos no exterior
  • Registro de estruturas patrimoniais
  • Atualização patrimonial anual
A troca automática de informações entre países torna a transparência obrigatória.
Estrutura legal exige:
  • Declaração correta
  • Registro correto
  • Assessoria especializada
  • Revisão periódica
Obrigações de declaração – Investimentos no exterior
ObrigaçãoPrazoQuem declaraLimitePenalidade
DIRPF31/05Todo residente fiscalQualquer valorMulta 1%/mês (mín. R$165,74)
CBE-BACEN05/04Patrimônio no exterior>USD 1M (em 31/12)Multa a partir de R$25.000
Participação offshoreAnual DIRPFTitular societário no exteriorQualquer valorMultas + crime tributário
Manter patrimônio no exterior gera obrigações fiscais no Brasil. A partir de USD 1 milhão há declaração anual ao Banco Central, e acima de USD 100 milhões, também declaração trimestral.
7. Da Estrutura
à Decisão
Entender estruturas não resolve o problema. Tomar decisões estruturais corretas resolve. Planejamento patrimonial internacional não é sobre escolher ferramentas isoladas. É sobre arquitetura.
Arquitetura é ordem, lógica, função, hierarquia, sequência e compatibilidade entre estruturas. Sem método, o investidor acumula estruturas. Com método, ele constrói um sistema.
7.1 O erro central do planejamento patrimonial
O erro mais comum é este:
"Qual estrutura eu devo abrir?" Essa pergunta é errada.
A pergunta correta é:
"Qual problema estrutural eu preciso resolver?"
Estruturas são ferramentas. Problemas são prioridades. Enquanto o investidor pensa em estrutura, o risco cresce no sistema.
7.2 Os cinco vetores de decisão
Toda arquitetura patrimonial se organiza a partir de cinco vetores:
1
Localização do patrimônio
Onde os ativos estão hoje
2
Natureza do patrimônio
Do que o patrimônio é composto
3
Horizonte de tempo
Curto, médio ou longo prazo
4
Perfil sucessório
Estrutura familiar, herdeiros, riscos e conflitos
5
Capacidade de governança
Disciplina, organização, custo e capacidade de gestão
Esses vetores não competem entre si. Eles se combinam. A arquitetura nasce da interseção, não da escolha isolada.
7.3 Diagnóstico estrutural
Antes de qualquer estrutura, existe diagnóstico. Diagnóstico patrimonial não é questionário. É leitura sistêmica de risco, tempo, família e estrutura.
Perguntas que definem a arquitetura:
  • Qual percentual do patrimônio está no exterior?
  • De onde virá a renda futura?
  • Existe risco jurídico local? Existe risco sucessório?
  • O patrimônio tende a crescer ou se manter?
  • Há herdeiros preparados?
  • Qual o orçamento anual aceitável para estruturação?
Sem diagnóstico, toda estrutura é tentativa. Com diagnóstico, a estrutura vira estratégia.
7.4 Lógica de construção da arquitetura
Toda arquitetura patrimonial se constrói por camadas, não por estruturas isoladas. Estrutura vem depois do método. Nunca antes.
  • Base jurídica: Residência fiscal, jurisdição, legislação aplicável, regras de herança, tratados internacionais
  • Base patrimonial: Mapeamento de ativos, passivos, empresas, vínculos familiares e riscos
  • Base fiscal: Onde, como, quando e em quem se tributa
  • Base sucessória: Quem herda, como herda, quando herda, com quais regras
  • Base de governança: Quem decide, quem administra, quem fiscaliza, quem executa
7.5 Arquiteturas-tipo
Perfil A — Investidor Internacional
Organização patrimonial, proteção cambial e sucessão simples
Offshore como núcleo, conta de investimento como operação, joint tenancy como mecanismo sucessório e conformidade fiscal estruturada.
Perfil B — Família Empresária
Sucessão, controle e governança
Holding patrimonial como núcleo, acordo societário, governança familiar, offshore como diversificação patrimonial e trust como camada futura de organização multigeracional.
Perfil C — Patrimônio Global
Continuidade e estrutura multijurisdicional
Holding no Brasil, offshore internacional, trust como camada de governança e planejamento sucessório integrado entre jurisdições.
Síntese estratégica de arquitetura patrimonial
Situação patrimonialEstrutura recomendadaObservações
Até R$5M no BrasilConta PF organizada + revisão anualFoco em organização e declaração correta
R$5–20M no BrasilHolding patrimonialAvaliar empresa familiar e governança
USD 300k–1M exteriorConta PF + Joint Tenancy/beneficiáriosOffshore não é padrão nessa faixa
Acima de USD 1M exteriorOffshoreIndicada para centralização e sucessão; Trust não é automático
Offshore + beneficiários vulneráveisOffshore + Trust irrevogávelTrust entra por governança e proteção
Planejamento multigeracionalTrust + Offshore (± Holding BR)Voltada à governança e continuidade
Patrimônio misto (BR + exterior)Arquitetura híbridaHolding BR + Offshore; Trust só se houver demanda de governança
8. Implementação
Prática
Estruturação patrimonial não é um produto. É um processo técnico, contínuo e progressivo. Não começa na abertura de estruturas. Não termina na implementação. E não se sustenta sem método.
Implementar arquitetura patrimonial significa transformar diagnóstico em sistema funcional.
Síntese estratégica de arquitetura patrimonial
Perfil PatrimonialEstrutura Central
Investidor InternacionalConta PF estruturada ou offshore, conforme complexidade
Família EmpresáriaHolding patrimonial + governança
Patrimônio GlobalHolding + offshore (trust conforme necessidade de governança)
8.1 Diagnóstico Patrimonial
Toda implementação começa por leitura da realidade, não por decisão de ferramenta.
Diagnóstico patrimonial envolve:
  • Localização e natureza dos ativos
  • Estrutura familiar
  • Riscos jurídicos
  • Exposição fiscal
  • Horizonte de tempo
  • Crescimento patrimonial esperado
  • Perfil sucessório
  • Capacidade de governança
Sem diagnóstico, qualquer estrutura é tentativa. Com diagnóstico, a estrutura vira estratégia.
8.2 Organização da Base Patrimonial
Antes de estruturar, é necessário organizar:
  • Ativos financeiros e empresariais
  • Imóveis
  • Participações societárias
  • Passivos
  • Vínculos familiares
  • Fontes de renda e fluxos de caixa
A organização patrimonial cria visibilidade. Visibilidade cria controle. Controle permite arquitetura.
8.3 Planejamento Jurídico
O planejamento jurídico define o que é possível estruturalmente.
Envolve:
  • Jurisdições envolvidas
  • Legislação aplicável
  • Regimes sucessórios
  • Regras de propriedade
  • Limites legais
  • Conflitos normativos
  • Tratados internacionais
  • Reconhecimento de estruturas
Sem base jurídica sólida, estrutura vira risco oculto.
8.4 Planejamento Fiscal
O planejamento fiscal define onde, como, quando e em quem se tributa. Não é busca por isenção.
É busca por:
  • Eficiência
  • Previsibilidade
  • Conformidade
  • Sustentabilidade
  • Segurança jurídica
Planejamento fiscal sem estrutura gera fragilidade. Estrutura sem planejamento fiscal gera custo permanente.
8.5 Escolha das Estruturas
Somente após diagnóstico, organização, base jurídica e base fiscal, ocorre a escolha estrutural. A estrutura não é o ponto de partida. É consequência do método. Holding, offshore, trust e saída fiscal são ferramentas. Arquitetura patrimonial é o sistema.
8.6 Implementação Técnica
Implementar é executar com método:
  • Constituição jurídica e abertura de estruturas
  • Formalização contratual e transferência patrimonial
  • Organização documental e integração entre estruturas
  • Definição de governança e criação de regras internas
  • Definição de responsabilidades
Implementação sem integração gera fragmentação. Integração sem governança gera conflito. Governança sem conformidade gera passivo.
8.7 Conformidade
Toda estrutura só é válida se for sustentável juridicamente e fiscalmente. Conformidade envolve: declarações fiscais, obrigações regulatórias, registros formais, compliance internacional, transparência patrimonial, rastreabilidade e documentação contínua.
Sem conformidade, não existe estrutura segura. Existe apenas risco diferido.
8.8 Revisão Periódica
Arquitetura patrimonial não é estática. Ela precisa ser revista quando:
  • Patrimônio cresce
  • Família muda
  • Legislação muda
  • Jurisdição muda
  • Perfil de risco muda
  • Sucessores mudam
  • Ativos mudam
  • Objetivos mudam
Estruturas que não evoluem se tornam ineficientes. Sistemas que não se revisam se tornam frágeis.
8.9 Síntese do Processo
Planejamento patrimonial real segue uma lógica:
  • Diagnóstico
  • Organização
  • Base jurídica
  • Base fiscal
  • Escolha estrutural
  • Implementação
  • Conformidade
  • Governança
  • Revisão contínua
Não como etapas isoladas, mas como ciclo permanente de gestão patrimonial.
Estruturação patrimonial não é um evento isolado, mas um ciclo permanente de gestão, adaptação e continuidade.
Ciclo permanente de gestão patrimonial
#FaseObjetivo principalO que é analisado/executado
1DiagnósticoEntender o ponto de partidaPatrimônio, riscos, estrutura familiar, objetivos
2OrganizaçãoDar visibilidade e ordemMapeamento de ativos, passivos, jurisdições
3Base jurídicaDefinir o arcabouço legalJurisdições, legislação, sucessão
4Base fiscalGarantir conformidadeTributação, declarações e obrigações
5Escolha estruturalSelecionar estruturas adequadasHolding, offshore, trust, residência fiscal
6ImplementaçãoColocar em funcionamentoConstituição, transferência e integração
7ConformidadeManter a regularidadeDeclarações, registros, compliance
8GovernançaDefinir regrasPapéis, poderes de decisão, mecanismos
9Revisão contínuaAdaptar ao longo do tempoMudanças patrimoniais, legais e familiares
10AtualizaçãoReiniciar o cicloRetorno ao diagnóstico com novo contexto
9. Erros Comuns
  • Investir fora sem estruturar
  • Estruturar sem declarar
  • Usar offshore como "atalho tributário"
  • Confundir estrutura com produto financeiro
  • Ignorar sucessão
  • Não revisar estruturas
  • Copiar modelos sem diagnóstico
  • Estruturar por moda, não por necessidade
Planejamento não é estética. É função.
10. Próximos Passos
Antes de qualquer estrutura:
  • Entenda seu patrimônio real
  • Entenda seus riscos
  • Defina seus objetivos
  • Projete crescimento
  • Avalie governança
  • Avalie sucessão
  • Busque assessoria especializada
Planejamento patrimonial não é sobre hoje. É sobre continuidade.
Glossário
Essencial
Holding patrimonial
Empresa criada para centralizar bens e participações
Offshore
Empresa constituída no exterior para deter ativos
Trust
Estrutura fiduciária de administração patrimonial
Trustee
Administrador fiduciário
Settlor
Instituidor do trust
Beneficiário
Destinatário dos benefícios do trust
Residência fiscal
País onde o indivíduo é tributado
ITCMD
Imposto sobre herança e doação
Exit tax
Tributação na saída fiscal
Estate tax
Imposto sucessório em algumas jurisdições
CRS
Padrão internacional de troca automática de informações
FATCA
Regime de reporte financeiro internacional dos EUA
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Disclaimer
Este material possui caráter exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, consultoria jurídica, contábil ou fiscal. Cada estrutura patrimonial deve ser analisada individualmente por profissionais especializados. Blue3 Investimentos é correspondente bancário do Grupo XP.

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